
QUEM É
Nascido em Jardinópolis, 62 anos
Bancário aposentado: ex-funcionário do Banco do Brasil
Casado com Maria Clara Machado da Silva
Quatro filhos – Rafael, Rodrigo, Raquel Cristina e Ricardo Augusto
Eleito vereador em 1988, reeleito em 1992.
Eleito deputado estadual em 1996, está atualmente cumprindo o quarto mandato como deputado estadual
Disputa a prefeitura de Ribeirão Preto pela terceira vez – tentou ser prefeito em 1996 e 2004
A Cidade – O principal problema enfrentado na área da educação em Ribeirão Preto está na falta de creches e pré-escolas. Segundo dados da prefeitura há um déficit de duas mil vagas. Com resolver isso?
Rafael Silva - Creche é o assunto mais grave porque penaliza as crianças e penaliza os pais também. A mãe principalmente. No primeiro momento eu vou realizar parcerias com a iniciativa privada, ou seja, com entidades filantrópicas e associações que realmente se interessem. Nestas parcerias vamos fazer o acompanhamento do poder público para poder mensurar o desempenho de cada entidade. No primeiro momento é a solução mais rápida. As parcerias bem feitas são altamente produtivas.
A Cidade – Parcerias saem mais baratas do que a construção de creches?
Rafael – Sai mais barato. Mas a nossa preocupação não é apenas o custo, mas a qualidade.
A Cidade – Ribeirão tem três problemas sérios de saúde. Na rede básica há falta de médicos e fila de espera para as especialidades. Na área hospitalar há falta de leitos para urgência e emergências. Como resolver estes problemas?
Rafael – No primeiro momento nós vamos criar um programa de qualidade total. Vamos criar a figura do gerente profissional. Que seria mais ou menos o gerente de cidades. Nós vamos ter a valorização dos servidores de cada unidade. Nós vamos ter um programa de acompanhamento on-line, de cada setor de cada departamento de Ribeirão Preto e em cada posto de atendimento. O paciente vai chegar no posto e na medida em que ele se identificar e buscar ali uma consulta, um remédio, já entram em tempo real todas as informações e naturalmente a hora de chegada registrada, a hora que ele for chamado para o consultório entra para a rede toda a informação. Aí nós vamos saber qual médico está presente, qual funcionário está presente e qual o horário de entrada de cada funcionário, de cada médico. O tempo que o médico atendeu. Tudo em uma escala de tempo, entendeu. Então um médico atendeu uma pessoa às 12 horas, outra às 12h40, nós vamos ter todo este acompanhamento em tempo real. E vai ter a valorização dos profissionais do setor. O programa de qualidade total visa melhorar o atendimento e visa também a qualidade do serviço desenvolvido pelo funcionário e valorizar o funcionário de forma diferenciada, em cada setor. E os prêmios serão instituídos. Em algumas unidades, nós vamos estudar a mudança nos horários de atendimento, havendo necessidade de criação de novos postos de atendimento, nós vamos providenciar a crianção destes postos, só que isto tudo vai ser feito após uma radiografia do setor, porque em muitos casos o problema na máquina pública não está diretamente ligado à falta de servidores, à falta de estrutura, e sim a uma gestão inadequada. Como nós teremos em Ribeirão Preto uma administração profissional em todos os setores, na saúde também vai ter esta administração, com certeza vamos otimizar a produtividade de cada servidor.
A Cidade – O senhor acha que existem recursos suficientes hoje para a saúde?
Rafael - Tem recursos e nós criaremos os recursos, porque eu vou implantar em Ribeirão Preto um governo de austeridade extrema. Exemplo, hoje alguns vereadores antigos chegam a ter de 50 a 100 pessoas indicadas trabalhando na prefeitura. Quando isso acontece o servidor de carreira fica descontente, desmotivado, porque tem um chefe despreparado, ou sem compromisso com a administração. Se um vereador indica um diretor para um setor, encarregado. Este diretor, ou encarregado, vai estar preocupado em atender os interesses do vereador e não da administração como um todo. O prefeito perde a unidade de comando, esse loteamento da máquina pública é altamente nocivo e acontece em função dos acordos eleitorais, ou pré-eleitorais. Um partido apóia determinado candidato que tem garantia de uma secretaria e dezena de cargos. Não entra na ánalise a qualidade profissional daqueles que vão ocupar os cargos e sim a força política de quem indica.
A Cidade – O senhor falou em uma administração profissional. Na saúde o senhor vai colocar um secretário médico ou um gestor?
Rafael – Estudando administração, 40 anos atrás, eu li um livro, de cerca de 600 páginas, de autoria de dois assessores da Casa Branca. Muito interessante de ler. Naquele momento eu fiquei surpreso que estes autores entendiam que um secretário da saúde, ou ministro da Saúde, o diretor de um hospital, estas pessoas não deveriam ser médicos, e sim administradores. Aí eles fazem uma comparação, eu me lembro bem, se um grande hospital tiver em sua administração maior, um cardiologista, com certeza a cardiologia será de primeiro mundo, mas o hospital poderá ir à falência. Ele vai além, se for um médico, o diretor, o chefe, o responsável por um grande empreendimento na área da saúde, este médico tem de esquecer que é médico e tem que ser um administrador. Aí ele fala que se ele conseguir desempenhar o papel de administrador, de gestor, a empresa poderá sobreviver. Então eu vou querer para a saúde um administrador, se algum médico tiver esta condição tudo bem, se não tiver, nós vamos procurar. Sendo médico e administrador tudo bem.
A Cidade – Ele terá será um técnico?
Rafael – Ele terá de desenvolver uma função administrativa. Eu ouvi um entrevista do Adib Jatene [ex-ministro da Saúde] quando ele saiu do Ministério. O repórter perguntou: puxa, mas o governo está sendo de uma infelicidade muito grande, está colocando o José Serra para ser Ministro da Saúde. Então o Jatene disse: é a melhor medida que ele está tomando, o Ministro da Saúde não tem que ser médico, tem que ser administrador.
A Cidade – Ribeirão acabou com os terminais centrais de ônibus. Como o senhor vê a situação?
Rafael – Eu estive em Curitiba há 20 anos para conhecer o sistema de transporte coletivo e o sistema de lotes urbanizados que estava sendo implementado pelo prefeito Jaime Lerner. Eu tentei trazer esta proposta para Ribeirão Preto. Hoje eles têm 351 terminais tubulares. Então a pessoa com deficiência, chega em uma cadeira de rodas, tem um elevador que eleva a cadeira até a plataforma. O ônibus chega, está no mesmo nível. As pessoas, os idosos, entram e saem dos ônibus sem problema, porque quando eles chegam estão no mesmo nível. E lá eles tem mais de 20 grandes terminais. Você paga uma passagem de R$ 1,90 e você vai para todos os lugares que quiser utilizando os terminais, com ônibus articulados. Hoje eles atendem 13 cidades. Curitiba e mais 12, pagando R$ 1,90, o ônibus chega a andar mais de 70 km para ir de um município para o outro, é o mesmo preço. São 22 empresas particulares, não dá prejuízo e tudo funciona muito bem. Eu tentei implantar este sistema em Ribeirão Preto quando estava começando em Curitiba, mas não consegui. Hoje é mais difícil, a cidade cresceu de forma desordenada. Eu vou começar implantar mudanças neste sistema. Não vamos ficar chorando sobre o leite derramado. Não foi implantado, tudo bem, vou começar a mudar agora a partir de 1º de janeiro.
A Cidade – Quais as mudanças que devem ser implantadas de imediato?
Rafael – Vamos criar corredores, com canaletas para ônibus nas avenidas, estas canaletas poderão ser utilizadas inclusive por motos, por táxi, por ambulância por viaturas policiais, por viaturas oficiais. Nós vamos criar estes pontos. Nós vamos fazer isto aos poucos. Não vou transformar Ribeirão Preto em uma Curitiba em 4 anos. Seria uma leviandade fazer esta afirmação. Mas vamos começar a promover estas mudanças e vamos mostrar que isto é viável sim. Claro que não existem condições de implantar estes corredores em tudo quanto é rua, porque o sistema permite. Na medida em que você tem um transporte coletivo de qualidade, você deixa seu carro em casa. Para se ter uma idéia em Curitiba, nos domingos, o usuário paga apenas R$ 1 da passagem.
A Cidade – Um incentivo a andar de ônibus.
Rafael – Um incentivo a andar de ônibus. Nós vamos criar inclusive, terminais que serão mini-shoppings, com lazer. O sujeito estando ali no terminal ele volta para o ônibus sem pagar passagem. Ele vai, paga uma conta, toma um café e volta para o ônibus com a mesma passagem e ele não saiu do sistema. Então o controle que vai existir está dentro do sistema. Nós vamos começar mudar isto em Ribeirão Preto, eu quero deixar claro para a população que é o início de uma mudança. Nós não vamos fazer de Ribeirão Preto uma Curitiba em quatro anos, mas nós vamos começar.
A Cidade – O que mais pode ser feito na questão do trânsito na área central de Ribeirão Preto?
Rafael - O Centro de Ribeirão Preto é caótico. Existe uma tendência de se agravar este crescimento desordenado. Dentro de seis ou sete anos, você não vai conseguir andar em algumas avenidas, ruas. Ribeirão Preto não teve um planejamento, de cinqüenta anos para cá nós tivemos prefeitos despreparados e que pensaram só naquele momento, nós não tivemos estadistas.
A Cidade – O senhor planeja alguma medida como restringir o acesso ao Centro dA Cidade?
Rafael – Não reduzir o acesso ao Centro, mas tornar inteligente este acesso. Estudar quais ruas terão determinada mão, vamos estudar onde os ônibus vão passar. Hoje você vê esta praça da Catedral, é um crime o que se faz com a população, não só aqui, mas nos pontos da cidade inteira. Ribeirão Preto é o centro de uma região muito importante e tem um transporte coletivo horrível. Eu tentei implantar mudanças, quando era vereador, que poderiam ter melhorado a situação.
A Cidade – Como o senhor vê a questão do aeroporto Leite Lopes?
Rafael - Ribeirão Preto foi caminhando para uma situação tal que hoje ficou quase inviável tirar o aeroporto de onde ele se encontra. Num primeiro momento poderíamos tomar uma outra providência. Nós deveríamos ter uma outra área com avenidas largas, suficientes inclusive para evitar problemas futuros de trânsito. Nós poderíamos ter o aeroporto em uma outra região, criando um cinturão verde, deixando área de escape no final da pista, para evitar acidentes. Poderia ter no entorno algum tipo de atividade, como restaurantes, parques para transformar o aeroporto em uma grande área de lazer qualificado, para servir de atração de toda a região. Quando eu era garoto em Jardinópolis, eu sonhava em ir ao aeroporto Leite Lopes, para ver o avião subindo e descendo. Se tivéssemos nós um aeroporto internacional em um local com planejamento, com entretenimento e lazer, nós criaríamos um pólo de atração. Você poderia promover este desenvolvimento em uma outra área de Ribeirão Preto, mas infelizmente, nós não tivemos administrações que tivessem essa visão, este entendimento, hoje existe a briga, vem o aeroporto, não vem o aeroporto, onde é o Leite Lopes. Hoje ficou quase inviável um outro local. Mas eu como prefeito, vou retomar esta discussão imediatamente e buscar uma solução, que seja a melhor possível.
A Cidade – Como o senhor vê a questão do plano diretor em Ribeirão Preto que até hoje não foi concluído?
Rafael – Completo o que eu acabei de falar, infelizmente Ribeirão Preto ao longo das décadas não teve administrações competentes, ou administrações preocupadas com o futuro. Nós estamos aqui tapando buracos, nós estamos aqui adotando medidas que podem colocar Ribeirão Preto em um crescimento voltado para o futuro. Ribeirão Preto não foi crescendo, foi inchando, com favelas, tudo sem planejamento, sem área verde, e sem a preocupação com o lazer e nenhum planejamento adequado. Eu estive visitando Curitiba lá estudando a questão das indústrias. O Jaime Lerner tinha um pensamento que você para melhorar as coisas você tem que misturar estas coisas. Você tem que colocar bairro residencial e um parque industrial, pequeno que seja, mas perto da área residencial. Para que a pessoa saia dali, inclusive, fazendo uma separação com grandes áreas verdes, que permite que a mulher possa ir trabalhar a pé, volte para cuidar do almoço, e volte para a indústria. Trabalha e volta para casa, tudo próximo. Aqui se fala vamos fazer um grande distrito empresarial, sem planejamento. Ribeirão Preto foi crescendo sem planejamento, foi inchando.
A Cidade - Hoje as maiores áreas de desenvolvimento no município estão nas zonas Sul e Leste. O senhor acha que existe um planejamento adequado para este desenvolvimento?
Rafael – Ribeirão Preto está crescendo porque é centro de uma região rica, de terra plana, terra vermelha. São José do Rio Preto, em termos de qualidade de vida está muito acima de Ribeirão Preto, Bauru está acima de Ribeirão Preto, Araraquara. Qualquer cidade que teve no passado o mínimo de planejamento, está à frente de Ribeirão Preto.
A Cidade – Como resolver esta questão?
Rafael - É mais difícil do que era no passado, eu reconheço. A dívida que o Gasparini está deixando é uma dívida gigantesca. Se você comparar a dívida que ele pegou com a dívida que ele está deixando, é uma dívida fantástica. Com o servidor público é uma dívida de mais de R$ 430 milhões, com juros e correção monetárias que chegam a quase R$ 50 milhões por ano. Então precisa ter determinação para resolver os problemas. Foi o Gasparini sim que deixou a dívida. Porque os servidores passaram a ter direito a uma diferença do plano Collor. Na época avisei o prefeito que ele deveria pagar, caso isto não acontecesse teríamos um desastre econômico e social no futuro. Eu tenho isto tudo documentado, inclusive com recorte do Jornal A Cidade, na época. Tenho tudo documentado, em 1990 ele não pagou.
A Cidade – Ribeirão tem 34 núcleos de favela hoje, como resolver isso?
Rafael - 20 anos atrás eu estive no Ministério do Interior em Brasília, fiquei dois dias no Sehac – Secretaria Especial de Habitação e Ação Comunitária, e eu trouxe para Ribeirão Preto um programa que tinha condições de eliminar totalmente as favelas. Eu estive com o prefeito na época e insisti com ele, ele não aceitou a minha idéia. São José do Rio Preto usou este programa, não tem nenhuma favela. Se fosse eu o prefeito 20 anos atrás, a cara de Ribeirão Preto seria outra. Quando foram construídas as casas no Jardim Juliana, ele alertei sobre o lixo, falei que daria um problema sério. Naquele momento o prefeito resolver mudar a posição de 40 casas, mesmo assim eu acertei e o problema existe. E ali ficou uma situação horrível.
A Cidade – Não dá para resolver o problema da favela?
Rafael – É mais difícil do que quando eu apresentei a solução há vinte anos. Mas dá sim. Eu sou o autor da lei do sistema de lotes urbanizados, que o Palocci usou em parte. Quando o Palocci saiu da prefeitura eu disse que ele usou, mas não de maneira adequada. Eu falei de forma técnica, de maneira adequada. Eu possuo um conhecimento profundo desta área de comunicação, desenvolvi um trabalho neste sentido.
A Cidade - Os lotes urbanizados podem ser uma solução?
Rafael – Podem ser uma solução, a lei é minha, que foi aplicada em Ribeirão Preto. Mas tem algumas peculiaridades que devem ser usados neste sentido.
A Cidade – É possível resolver o problema?
Rafael – É muito mais difícil do que foi no passado por falta de responsabilidade, por má gestão. Isto chegou a um ponto extremamente grave. Mas se nós começarmos a deixar para lá a entender que é insolúvel fica mais difícil. Eu tenho projetos importantes neste setor. Nós temos que ter um cadastro de todo mundo que mora lá, para que qualquer hora que você quiser ter conhecimento da faixa etária de cada um, da ocupação de cada um, temos que ter um mapa disto tudo. Assim vamos evitar que outras pessoas venham par Ribeirão Preto. Outra coisa, temos que tirar este estímulo que existe na migração. Com este controle nós vamos saber quem está em Ribeirão Preto, há quanto tempo está em Ribeirão Preto, se trabalha, se não trabalha. Este levantamento social dá condições de acompanhar e de entender quem realmente tem que ser atendido. Mas não vamos abrir mão também da austeridade para resolver este problema.
A Cidade – O objetivo do senhor é controlar quem chega na cidade?
Rafael – Tem que controlar quem chega, como chega. Nós temos um problema sério aqui na região que é o corte da cana manual. De repente você tem saindo lá de uma reunião do nordeste, oito, dez mil pessoas que vêm para nossa região. Eles vêm para voltar, só que muitos não voltam, constituem família aqui. Nós temos inclusive que combater, inclusive este corte de cana manual, terminando assim as queimadas. O corte de cana manual vem porque existem as queimadas, e vamos começar a resolver. Habitação é um problema sério. Em países desenvolvidos, em países sérios, os governantes não permitem uma migração desordenada, não. Numa reunião dos Estados Unidos, onde tem laranja e outros produtos que precisam em determinadas épocas de mais trabalhadores, as pessoas vêm com aqueles trailers, mas tem todo um controle de quem chegou e quando vai embora. Não dá para ficar mudando, vir para cá, se ele não tem emprego, não tem infra-estrutura.
A Cidade – Como o senhor pretende resolver o problema das enchentes na cidade?
Rafael – Com o aumento nos últimos anos da impermeabilização do solo, a água não tem onde fugir, ela corre para o fundo dos vales. Ela não é inteligente, ela não sobe escada, ela desce, vai para os vales. E aí você tendo tudo impermeabilizado, você vai ter muita água. Quando se vendeu a Ceterp, na segunda vez, o dinheiro poderia ser usado para isto. Naquela época com cerca de R$ 40 milhões, não daria para ter resolvido tudo, mas amenizaria de maneira significativa.
A Cidade – A obra de abertura do canal resolverá o problema. O senhor dará continuidade no projeto?
Rafael – Se você de uma forma bem feita, com bastante critério, você vai melhorar a situação sim. Mas não apenas com esta obra no canal, você tem que começar lá em cima e você tem que começar a cuidar também lá em Cravinhos, o problema da água. A água não é só nossa. Tem que ver de onde ela vem e ver o tipo de obra a ser implantado. Isto daí exige, além da abertura do canal dos córregos, exige também que se tire o ângulo reto que existe no cruzamento dos córregos, no ribeirão Preto e o córrego Retiro Saudoso. Esta obra que está sendo feita agora, poderia ter sido feita com o dinheiro da Ceterp, como também o tratamento de esgoto. Hoje Ribeirão paga mais de R$ 40 milhões por ano com tratamento de esgoto.
A Cidade – O senhor pretende rever este contrato?
Rafael – Pretendo rever este contrato e tenho informações, quer dizer informações, mas no Brasil não existe corrupção. Se tivesse corrupção, neste contrato houve alguma coisa esquisita. Mas como o Brasil é terra onde corrupção é apenas sonho de uma noite de verão, não houve nada. Este contrato para mim atendendo a interesses de quem fica e de quem vai. De quem fica é a Ambient, de quem sai é o governo que sai. Eu vou rever este contrato da melhor forma possível, porque a Ambient gasta muito pouco dinheiro para tratar este esgoto. Ela construiu emissários, mas o que o município paga por ano para este tratamento de esgoto, ele poderia financiar com recursos internacionais e ele mesmo construir os emissários. A mão de obra utilizada lá é mínima. Com o dinheiro da Ceterp você financiaria a solução para os emissários de esgoto, faria com muito mais qualidade, não teria o problema das enchentes. Mas o dinheiro da Ceterp sumiu porque políticos e covardes traíram Ribeirão Preto. Mas nós não vivemos em um pais sério, se vivêssemos teríamos muita gente na cadeia.
A Cidade - Qual o seu projeto para a área Cultural em Ribeirão Preto?
Rafael – A cultura, algum aloprado imagina que cultura é só você botar assim uma sinfônica na praça. Não, isto também, mas cultura é também você cuidar lá no bairro da capoeira, é você cuidar das festas de rua, é você levar para o bairro uma oficina de teatro. Você levar para o bairro uma quadra para você ter um show, uma apresentação. Eu volto para Aristóteles que falava que a tragédia grega era muito importante para formação das pessoas. Ali tinha uma peça onde algumas coisas terríveis e onde ele aprendia o que fazer e o que não fazer. Ele passava por um ensinamento. O teatro pode ser usado para isso. O teatro já é usado inclusive para resolver problemas psicológicos. Ele forma uma peça e ali vai desempenhar um papel e vai resolver muitas vezes através de um papel o problema que ele tem. Com a cultura eu vou levar entretenimento, cidadania para o bairro, lazer. É importante levar para o jovem um sentido para a vida. Este incentivo, muitas vezes não é nem financeiro, é uma motivação para o jovem não voltar para delinqüência. Eu quero levar para o jovem da periferia este estado de espírito. Eu vou levar para os bairros um sentido para a vida do jovem e nós vamos preparar o jovem para vida profissional, para a vida ética, a vida cidadã.
Fonte: http://www.jornalacidade.com.br/noticias/71656/rafael-silva-aposta-no-modelo-de-curitiba.html
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